Pontos de Reflexão

De geração para geração

Nasci no final dos anos 60 o que me faz parte da geração X, a última que chegou a fase adulta sem – ou com mínimas – interações com computadores. Esta é a geração do telefone fixo de discar em casa, da máquina de escrever e das fitas K7, entre outros.

Sucesso na carreira, para nós, era medido pelo tempo de empresa. E a conta era simples: quanto mais tempo ficássemos em uma empresa, melhor éramos. E se conseguíssemos ascender, sendo promovidos de assistente para gerente e, então, para diretor, melhor seria.

Esta é uma geração que precisou ser extremamente determinada e resiliente, pois passar décadas em uma empresa, às vezes exercendo a mesmíssima atividade, às vezes sendo preterido, enfrentando politicagens, cortes de funcionários, fusões e centenas de horas extras, não era fácil. Mas a estabilidade financeira e, ao final, a aposentadoria com salário integral eram, teoricamente, a recompensa, o conforto.

Muitos de nós seguirem este indefectível roteiro. Outros, mesmo diante da incompreensão dos colegas de empresa e familiares decidiram virar a mesa, mudar de carreira e renovar seus ciclos. Na época, eram chamados, minimamente, de irresponsáveis.

E então veio a próxima geração, os millennials e, a partir de 1997, a geração Z que já nasceu ligada à tomada e com acesso a internet. Para eles, profissionalmente, não há fronteiras e nem mesmo regras ou roteiros pré-estabelecidos. Mas, como seus relacionamentos, preferências e carreiras tendem a ser temporários, nunca precisaram, de fato, desenvolver a sua resiliência. Por isso, cansam-se e entediam-se com facilidade e tem um imediatismo pulsante.

Lembro-me, por exemplo, de fazer uma entrevista de emprego (eu no papel de contratante) e ser indagado pelo candidato quando ele seria promovido e quais eram o salário e benefícios desta nova função. 

Esta é, em linhas gerais, uma geração que está amadurecendo tarde, frágil e muito dependente da sua aceitação. Privilegiados são aqueles que têm pais da geração X, que podem transmitir-lhes a importância e o poder da paciência, da disciplina, da constância e da resiliência. Não para que estes jovens sigam carreira, como fizemos, mas para lhes dar parâmetros, forjar suas couraças e torná-los mais resistentes ao mundo real.

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Engenheiro, formado pelo Mackenzie, com especializações em marketing e negócios nos EUA e Inglaterra e MBA em varejo pela USP.