Nasci em 1968. Acho que sou da última geração que viu torcedores em um estádio de futebol com um rádio de pilha “grudado” na orelha – embora eu mesmo nunca tenha feito isso.
Para os bem mais novos, talvez seja importante eu explicar que rádios de pilha eram portáteis com menos de um palmo de tamanho (alguns AM e FM, outros apenas AM) que funcionavam, como o nome diz, a pilha. Eram leves e podiam ser levados a qualquer lugar.
Imagino que você já possa estar se perguntando: se a pessoa está assistindo ao jogo ao vivo, por que precisa do rádio? A explicação mais lógica seria pensar que é para ouvir a opinião de algum comentarista, o que enriqueceria a experiência. Sim, isso é verdade. Mas, para muitos, o prazer é mesmo o de ouvir o radialista narrando o jogo.
Embora eu tenha dito que este é um hábito antigo, repare bem e verá torcedores que ainda mantêm o ritual, só que agora com fones sem fio e com o jogo transmitido pelo aplicativo da rádio baixado no celular.
Toda essa introdução é para fazer um paralelo com a minha profissão de anfitrião da cidade de São Paulo, pois essa lembrança me fez pensar sobre o valor da narração e da presença. Assim como o torcedor aprecia o jogo com o narrador, há quem aprecie conhecer São Paulo com alguém que narre suas histórias ao vivo.
Se alguém pode passear pela cidade livremente, qual seria o diferencial de ter um narrador como eu ao seu lado? Se no caso do rádio a narração é a mesma para qualquer um que esteja conectado, o mesmo não ocorre no meu caso. Minha narração é totalmente personalizada e ponderada.
Personalizada porque falo do que está ao nosso redor, o que chamo de “informação ilustrada”. Meu cliente me ouve ao mesmo tempo em que vê algo relacionado ao que estou narrando. E isso potencializa a retenção, pois os estímulos auditivo e visual se complementam.
Ponderada porque, observando o meu cliente, percebo, pela sua linguagem corporal, brilho nos olhos e reações, até que ponto devo me estender e quando a informação já foi o suficiente.
Os anos passam, as tecnologias mudam, mas a essência continua a mesma: apreciamos vozes que nos guiem, que deem sentido ao que vemos. Pessoas se conectam a histórias que valem ser contadas.