A busca pelos nossos talentos é como um jogo em que a vida nos dá pistas – nem todas simples ou fáceis de decifrar. E, mesmo que as sigamos, não há garantia de que nossos talentos estejam ao final do trajeto, como o pote de ouro no fim do arco-íris.
Digo isso por experiência própria. Nasci em uma família na qual apenas três profissões eram consideradas: engenharia, medicina ou advocacia. Tornei-me engenheiro.
Naquela época, acreditávamos que uma carreira de sucesso era aquela em que se entrava em uma empresa como estagiário e se chegava à aposentadoria ocupando o cargo mais alto possível. Era assim que medíamos o sucesso dos nossos pais: pelo tempo de casa. E a lógica era simples: quanto mais tempo permanecessem em uma única empresa, melhores profissionais seriam, ao menos em teoria.
Embora minha trajetória profissional não tenha sido linear, cheguei ao mais alto cargo de uma empresa multinacional. E foi justamente nesse momento que descobri que aquilo não era para mim. Mas, se não era aquilo, o que seria? Afinal, eu acreditava não saber fazer mais nada. Não via outros talentos em mim.
E aqui voltamos ao título deste texto. Foi necessária muita abstração para sair daquele roteiro aparentemente inquestionável, observação para descobrir onde meus talentos estavam escondidos e, principalmente, tempo. Somente aos 45 anos meu caminho em direção ao propósito começou a se delinear.
- Tornei-me anfitrião da cidade de São Paulo e passei a ser reconhecido como referência no mercado de luxo em que atuo.
- Virei faixa preta de aikidô, uma arte marcial japonesa.
- Encontrei nos palcos e nas palestras o meu habitat natural.
Por trás dessas três vertentes, aparentemente distintas, existia um mesmo talento: conectar pessoas, criar experiências e inspirar transformações.
Talentos nem sempre se manifestam como aptidões evidentes ou títulos acumulados ao longo da carreira. Muitas vezes, eles se revelam naquilo que nos energiza, nos conecta com as pessoas e nos faz sentir úteis.
Porque, quando encontramos essa resposta, deixamos de perseguir um destino e passamos a viver um propósito.